A Redoma de Vidro romance escrito por Sylvia Plath foi uma das melhores leituras que fiz esse ano e confesso que precisei de um tempo para conseguir escrever essa resenha, não é pelo fato da escrita ser difícil e sim por se tratar de um livro tão intenso e que me deixou extremamente confortável com assuntos tão densos como depressão e suicídio.  Eu precisei de um tempo a mais para refletir sobre todo o seu conteúdo e acredito que jamais conseguirei expressar o máximo da sua essência em palavras, mas irei tentar.
Esther Greenwood é uma jovem do interior estudiosa e que sempre se destacou, até que um dia vê sua vida se transformando ao conseguir um estágio em uma famosa revista em Nova York. Essa nova experiência iria permitir Esther a conhecer uma nova cultura, pessoas novas, viver em um mundo glamouroso e ter uma grande experiência profissional, porém o que parecia promissor acaba despertando uma torrente de sentimentos que desencadearia uma depressão.
É tão leve e tão poética a forma como o enredo vai avançando que essa transição em que a depressão vai sendo desencadeada é passada de forma natural, a forma como os sinais vão aparecendo me envolveram no universo de Esther, compreendi-a e senti junto a ela todos os transtornos causados por essa doença. É extremamente fácil se conectar a protagonista, ela é real, sincera, uma pessoa tão comum. De forma progressiva ela deixa de lado seus sonhos e começa a tentar encontrar formas para cessar o seu sofrimento.
Algumas pessoas classificam esse livro como autobiográfico já que a autora passou por diversas situações similares às da protagonista, inclusive na época em que estava escrevendo-o foi submetida a tratamentos para melhorar a sua condição e por fim, acabou optando pelo suicídio aos trinta anos. Quando um assunto está em foco é necessário debater e entender que depressão é uma doença e que precisa ser cuidada da maneira certa.  Muitos avanços foram feitos nos tratamentos psiquiátricos que antes chegavam a ser medonhos, hoje em dia, é possível encontrar formas de acordo com cada caso e além disso, é importante ter o apoio de familiares e amigos.
O livro fala como eram os tratamentos psiquiátricos na época, muitas vezes pacientes que não tinham condições de serem internados em clínicas ficavam reclusos em áreas isoladas de hospitais, as quais lembravam um porão. Aborda ainda sobre a lobotomia - procedimento cirúrgico amplamente usado antigamente para o tratamento de pacientes esquizofrênicos - e tratamentos de choque. Esse último foi uma surpresa ao saber que não foi extinto como eu imaginava, já naquela época quando ministrado de forma correta o procedimento se torna indolor e pode apresentar resultados favoráveis.


Um livro intenso, cheio de nuances, sincero, com um tema relevante e com uma escrita fluida que me impressionou, um retrato real de como uma pessoa que sofre com a depressão pode ir de um estado ao outro de forma sutil, sem ao menos perceber qual o rumo está tomando. Essa não é uma leitura que aconselho para uma pessoa que esteja passando por uma fase difícil, pois acredito não irá ajudá-los, acho que é melhor reservá-lo para um momento mais adequado e mergulhar nesse universo sabendo o que o espera.


A vida de Sylvia Plath pelo pouco que pesquisei é bem interessante e sem dúvidas pretendo me arriscar tanto em suas poesias como em seus diários, além disso, há diversas biografias publicadas sobre a autora e acredito que serão leituras ainda mais densas e surpreendentes.
››




Sinopse: Algo de podre no esquadrão Enquanto os integrantes da Força-Tarefa X – mais conhecida como Esquadrão Suicida – tentam se recuperar da desastrosa missão em Gotham City, um segredo sombrio vem à tona com a descoberta de um traidor dentro da equipe. Treinado por Regulus, o líder de uma organização terrorista, o sabotador tem ordens de eliminar Amanda Waller e expor o Esquadrão. Em meio a isso, o grupo é incumbido de caçar e prender o misterioso meta-humano Mitch Shelley, também chamado de Ressurreição. No entanto, isso pode se revelar mais mortal do que se pensava, além de fazer parte do plano suicida de Waller para deter Regulus. Reunindo as edições originais Suicide Squad 8-13 E Resurrection Man 8-9 Em 188 páginas, este volume apresenta uma história que revira as entranhas do Esquadrão Suicida, bem como os coloca em uma de suas missões mais letais. O roteirista ADAM GLASS (da série de tevê Supernatural), com a ajuda dos Artistas Federico Dallocchio (Starcraft) e Fernando Dagnino (Superman), traz uma aventura recheada de ação e insanidade como só poderia ser em se tratando desta equipe.

Explosivo. Se tivesse que definir em uma palavra essa HQ, seria assim. O segundo encadernado dos bad guys da DC na série os novos 52 dá continuidade a Esquadrão Suicida: Chute na Cara (tem resenha dele aqui no blog, se não leu corre lá e confere rapidinho clique aqui). Se você gostou do primeiro, deve amar este aqui por vários motivos. O primeiro motivo é que ele tem muito mais ação que o primeiro (e o primeiro tem um pouco de ação já , então...). O segundo é que ele tem mais consistência na história e é cheio de plot twists de dar até infarto de tão emocionante. O terceiro é que o esquadrão faz menos rotação de membros que no primeiro encadernado, então dá pra acompanhar melhor quem é quem e qual a história de fundo de cada um. O título original é Basilisk Rising, mas adaptá-lo ao invés de somente traduzir serviu muito melhor. Isso porque vivendo no limite descreve exatamente a situação: Um esquadrão com membros desgastados, pirando, de saco cheio, cuja líder também não está nada bem. Os personagens são legais, diferentes e as situações bem exploradas. E tem ação o tempo inteiro. Não tem um minuto de descanso para esses vilões. Vivendo no limite não fecha o cerco. Ao contrário, deixa a história muito aberta para uma sequência (exatamente como no primeiro, quem leu vai entender). Super recomendado (junto com o primeiro, pra entender tudo), essa série do Esquadrão nos novos 52 tem tudo pra dar muito certo, trabalho de primeira do roteirista Adam Glass. Corre lá e confere pra ver do que estou falando.


Curiosidade: Por ser composto pelos mensais 8-13 de suicide squad e 8-9 de Resurrection Man, dá pra notar que Amanda Waller e a Dra. Visyak mudam drasticamente na arte de Resurrection Man. Entretanto não tem muita diferença nos membros do esquadrão. Confira as fotos pra ver.
››



Título: A Bela e a Fera - Autores: Madame de Beaumont e Madame de Villeneuve - Editora: Zahar - Edição:2016 - Páginas: 240 - Classificação:✩✩✩✩✩
Hoje o post é especial para o dia dos namorados, por isso decidi trazer a resenha do livro “A Bela e a Fera” que traz uma das histórias de amor mais bonita dos clássicos, um livro que chama a atenção para a bondade, gratidão e beleza interior. Escolhi a edição publicada pela Zahar por conter duas versões dessa história, a mais popular escrita por Madame de Beaumont e a versão original escrita por Madame de Villeneuve. As duas versões são sensacionais e sem a menor sombra de dúvidas deveria ser lida por todos os admiradores dos contos de fadas.
Se você está pensando que esse é mais um livro infantil, que traz apenas uma mensagem rasa sobre não julgar uma pessoa pela aparência, você está enganado(a). A versão de Madame de Beaumont possui um enredo bem mais simplista, porém apresenta seus encantos para as mais diversas faixas etária e por se tratar de uma versão mais curta e com a quantidade de personagens reduzidas é a mais indicada para o público infantil. Já a versão original traz uma trama composta por diversos personagens, bem enlaçada e bem justificada, temos a história em três perspectivas diferentes primeiro da Bela, seguida pela Fera e por fim, de uma fada benfeitora.
As duas obras possuem em comum o contraste entre a beleza externa e a interna entre os personagens, as irmãs da Bela são donas de uma beleza inegável, porém por dentro são fúteis e invejosas, já a Fera possui uma aparência animalesca e apesar dos atos rudes possui um grande coração repleto de generosidade. A Bela é encantadora, dotada de talentos, bondade e não é preciso mencionar sua beleza, ela se vê em uma situação que se sente incubida de salvar a vida do pai, mesmo que isso signifique sacrificar a própria vida. É através do convívio com a Fera que aos poucos ela vai descobrindo o amor e valorizando outras coisas além da aparência física. Além disso, a Bela tem um papel de humanizar a Fera, deixá-la mais dócil e com atitudes mais humanas.
Madame de Villeneuve inseriu em sua obra conflitos de interesses entre fadas e distinções de classes sociais. Como mencionei no início desta resenha, a sua história é redonda, bem enlaçada e minimamente justificada, é apresentado o motivo da Fera ter sido aprisionada em uma aparência animalesca, mas também é apresentada a história da fada que o aprisionou, além disso, um segredo sobre o passado e as origens de Bela é revelado.
As duas versões possuem uma escrita fluida, que chama a atenção pela riqueza de vocabulário e pelas belas mensagens deixadas como lição. É possível realizar a leitura de uma só vez, independente do fato que a versão original tem uma estrutura que se assemelha mais a um romance devido aos diversos níveis apresentados e ser um pouco mais longa que a versão popular, ainda é possível realizar a leitura em poucas horas.
A edição da Zahar possui uma apresentação no início que conta um pouco mais sobre a vida das duas autoras, traça uma comparação entre as obras e fala um pouco sobre outros contos inspirados nessa história incrível.
Preciso ainda mencionar que a primeira é a que mais se aproxima do que é apresentado na versão de desenho animada que se tornou popular nos anos de 1990 e foi produzida pelo estúdio Disney, logo acredito que seja a mais fácil de agradar um maior número de leitores. Eu ainda não assisti a versão protagonizada por Emma Watson, mas em breve irei vê-la e espero ter a oportunidade de fazer um review aqui no blog. A segunda já é uma versão mais adulta com grandes intrigas e muitos detalhes.



Este é um livro que recomendo a todos que gostam de um bom romance, principalmente dos eternizados em contos de fadas, mesmo que já tenha conhecimento de ao menos de uma versão a leitura será recompensadora. A leitura é leve e agradável.
››


Olá pessoal, tudo bem?
Primeiramente gostaria de pedir desculpas por não ter postado nada aqui durante tanto tempo, mas tenho uma explicação e gostaria de compartilhá-la com vocês. Quando criamos o blog, nossa intenção era poder compartilhar nossas opiniões sobre os livros que gostamos e durante um bom tempo fizemos isso. Porém, a rotina começou a impedir que déssemos continuidade da maneira como gostaríamos.  No meu caso, fiquei atarefada com a faculdade e o estudo de dois idiomas. Bom, dei algumas dicas para ler em inglês aqui no blog e em breve quero falar da minha experiência com o espanhol também. Por isso, as leituras foram diminuindo, mas sempre que tenho tempo, estou lendo um livro. Esse ano de 2017 está sendo muito especial por causa do meu projeto de Leituras Transformadoras em que estou adotando novos tipos de gêneros literários para ler também. Não estou lendo somente romances, mas aventuras, biografias, suspenses e ainda espero poder ter a oportunidade de dividir tudo isso com vocês.
Estou voltando ao blog, mas não é de uma vez, porque esse mês é o mais difícil devido as obrigações da faculdade e alguns cursos que estou fazendo, mas aos poucos publicarei aqui. Não sei como será daqui pra frente, mas espero continuar dividindo diversas experiências literárias com vocês. Estamos planejando uma nova fase para o blog e esperamos que estejam junto conosco. Abraços!

››



“O circo mecânico Tresaulti” da autora Genevieve Valentine foi um livro que me tirou totalmente da minha zona de conforto e me surpreendeu de forma positiva. O enredo traz um universo distópico devastado por uma guerra e em meio a todos os horrores um circo se mantém na estrada, mas esse não é um circo comum, alguns de seus integrantes tem partes do corpo substituídas por engrenagens, essas modificações são feitas visando que o número seja ainda mais belo e perfeito, levando alegria mesmo em tempos difíceis. A responsável pelo circo e pelas modificações é Boss, uma mulher imponente que sempre usa um vestido longo e casaco de lantejoulas.
“A ideia do homem-de-metal atrai o público, todavia, não posso negar. Toda vez que ando pelo que hoje chamam de cidade e coloco um cartaz em uma parede bombardeada ou outra, as pessoas saem de trás de suas portas trancadas só para darem uma olhada de relance.”
Todos os personagens são endurecidos pela guerra, todos trazem consigo uma bagagem emocional diferente e é no circo onde encontram refúgio e deixam de lado as atrocidades que precisavam fazer para sobreviverem a guerra. Aqueles que não são modificados costumam ficar por pouco tempo, mas aqueles que Boss dá uma nova vida eles seguem fiéis ao circo. Alguns possuem mais metais que os outros, tudo isso depende da forma como chegam ao circo e de acordo com os números que executam.
“Alguns momentos são infinitos e aterrorizantes, mesmo que deem certo no final.”
O foco principal são as relações que são construídas no meio circense e como as pessoas são afetadas pela guerra, moldando a forma como vêem a vida e os laços afetivos que irão estabelecer daquele ponto para a frente. O tema é bem dissecado e transporta o leitor para dentro da ambientação proposta, é possível imaginar o circo, o clima e seus integrantes com perfeição. Existe ainda, um certo suspense sobre uma perseguição ao circo, por uma pessoa que em grande parte do livro é denominada como “homem do governo”, que tem motivos obscuros para tentar encontrar o circo e Boss. Portanto, além de explorar bem os relacionamentos o livro traz ainda algumas cenas de ação bem dosadas.
“A maioria das pessoas não vivem o suficiente para ver o circo duas vezes. Estes são tempos exaustivos.”
Como mencionei no princípio dessa resenha esse é um livro que me tirou totalmente da minha zona de conforto literária, primeiro por apresentar três tipos de narrativas diferentes e segundo por não seguir uma ordem temporal exata. As narrativas a princípio me deixaram confusa, pois as mesmas não são alternadas em cada capítulo, por vezes vários capítulos são narrados em primeira pessoa e quando me habituava com a voz de repente o próximo capítulo seguia a narrativa em terceira ou segunda pessoa, por exemplo. Conforme avançava na leitura eu fui me habituando ao tipo de narrativa escolhida e já não sentia as transições drásticas demais, o mesmo aconteceu com o fato da ordem cronológica que alternava entre passado e presente, porém me senti mais confortável nesse ponto.
“... Ninguém quer ver você fracassar. Qualquer um pode fracassar. Eles pagam dinheiro pra nos ver fazer coisas que eles não conseguem.”
‘Little George” é o responsável pela narrativa em primeira pessoa, mas ao contrário do que se pode pensar ele nunca foi modificado por Boss e nem por isso ele deixa de ter uma conexão especial com Tresaulti e principalmente com Boss. É através das descrições dele que o circo ganha vida e cresce diante dos olhos do leitor. Ele é uma das poucas pessoas que permanecem por mais tempo no circo, ele ama tudo o que ele vive e se encanta com a magia de Boss, o circo pra ele tem um forte significado e faz todo o sentido ele ter sido escolhido como narrador.


Esse é um livro oito ou oitenta, é comum deparar com leitores ou que amaram ou que odiaram a leitura, eu me encaixo no primeiro grupo mesmo que a princípio tenha me sentido confusa, aos poucos fui me ambientando e compreendendo o estilo de narrativa e cronologia adotada. Quanto mais me via imersa ao universo apresentado mais fácil era de me aproximar dos personagens e ter uma visão mais ampla e bem construída do Tresaulti. Não vejo como indicar este livro a um público especifico, mas se você está procurando algo diferente e que apresente uma atmosfera circense apresentado em universo distópico acredito que “O Circo Mecânico Tresaulti” pode te surpreender.

››



Isaac Asimov entrou para a minha lista de autores favoritos desde o momento que tive o meu primeiro contato com o livro “As cavernas de aço”, a partir daí me vi imersa em um universo de ficção cientifica que apesar da presença de alguns termos técnicos conta com enredos de fácil entendimento e com desenvolvimentos originais.  Apesar de não seguir a ordem cronológica exata de suas obras tenho me aventurado entre um livro e outro e, os resultados tem sido sempre positivos, como no caso mais recente “Pedra no céu” mais uma leitura prazerosa e altamente satisfatória.
"Foi então que levou o pior choque de todos, porque as folhas de algumas daquelas árvores estavam avermelhadas, e na curva de sua mão ele sentiu a natureza quebradiça de uma folha seca. Ele era um homem da cidade, mas o outono era algo que sabia reconhecer."
O protagonista desta história é Schwartz, um senhor já de idade que atravessa as barreiras do tempo involuntariamente e chega em uma Terra totalmente diferente da que estava habituado. O planeta agora já não é mais o único habitado da galáxia e ficou esquecido no tempo. Sua população foi drasticamente reduzida devido a radioatividade e o restante do Império Galáctico se quer considera que um dia a Terra foi a origem da humanidade. O idioma adotado também é diferente e quando um cidadão completa sessenta anos ele deve se entregar as autoridades para deixar de viver. Schwartz se vê perdido em meio a esse mundo agora desconhecido para ele e após uma andança encontra abrigo em uma fazenda.
"- Para o resto da galáxia, se é que notam a nossa existência, a Terra é apenas uma pedra no céu. Para nós é o nosso lar, e o único lar que conhecemos. (...)"
O fazendeiro que o abriga sem saber como estabelecer uma comunicação com o misterioso homem e por medo dele ser um espião, entrega-o ao cientista Shekt para que o mesmo possa realizar testes que terão resultados que irão mudar totalmente o rumo da história do planeta Terra.
Com uma narrativa fluida e leve Asimov envolve o leitor em um universo envolto de segredos, conspirações políticas e um romance singelo (vale ressaltar que esse está longe de ser o foco principal da história). A Terra não possui as características atuais devido aos efeitos da radiação. Na época em que o livro foi escrito, 1949, os efeitos da radiação em Hiroshima ainda eram amplamente discutidos e Asimov acreditava que a humanidade poderia sobreviver aos níveis de radiação, inclusive no posfácio ele pede aos leitores que coloquem suas descrenças sobre esse fato de lado já que não poderia mudar mais a história sendo que a radiação é um dos elementos primordiais do enredo. Posso garantir que indiferente a esse fato, essa é uma história que convence e ampliou ainda mais o meu interesse pela ficção cientifica.
Este é o romance de estréia e a base para a criação de uma das obras mais famosas do autor, a trilogia Fundação. Para quem tem curiosidade de conhecer um pouco sobre o universo que constitui o Império Galáctico este livro é uma excelente porta de entrada e se gostar dele sem dúvidas não irá querer parar de ler até chegar nos livros da Fundação.
A narrativa em terceira pessoa permite o leitor ter uma visão geral de pontos de vista distintos, o que enriquece ainda mais a experiência de leitura. Os personagens são bem compostos, interessantes e todos agregam valor ao livro.

Uma leitura agradável do início ao fim, que sem dúvidas valeu a pena ser feita. Mais uma leitura surpreendente acrescida a minha meta de 2017, não vou me estender mais sobre esse livro, somente indicá-lo a quem gosta de ficção científica e a todos que gostam de histórias com ação e cheia de reviravoltas.
››


Sinopse: As mais famosas histórias são sobre heróis combatendo o mal, finais felizes, bons príncipes e princesas. Já na ficção Vermelho – Um Amor de Sangue, Juck Olegário inova e decide contar o outro lado da história: o nascimento e crescimento de uma grande vilã, mostrando seus sentimentos e suas motivações para o mal.
Isabelle era uma menina simples, que viu sua mãe morrer e seu pai passar por dificuldades. Após ser escolhida para ser uma criada no grande castelo local, a moça lá cresce e, após uma série de fatos, se torna uma mulher vingativa e malvada. Tomada por todo o amargor e tristeza que passou na vida, Isabelle busca pelo seu verdadeiro final feliz, custe o que custar.
Não é nenhuma novidade que os vilões são os queridinhos do momento, é cada vez mais comum nos depararmos com adaptações de histórias nas quais eles são o centro seja vilões de contos de fadas ou mesmo de outros gêneros. A lista é extensa e cabe a outra postagem discutir um pouco mais sobre esses personagens tão interessantes, o foco desta resenha será em apenas uma personagem Isabelle do livro “Vermelho: um amor de sangue” escrito pelo jovem autor brasileiro Juck Olegário. Através de uma narrativa que acompanha a vida da vilã da infância a vida adulta o autor levanta vários questionamento sobre o que leva uma pessoa a ser má, ou mesmo será que essas pessoas possuem o direito de ter um final feliz.
Isabelle possui uma origem humilde, perdeu a mãe muito cedo e é criada pelo pai que precisa se esforçar bastante para alimentá-la, ela sonha em ser escolhida para trabalhar no castelo servindo aos seus reis e consequentemente melhorar sua condição de vida. Não tarda para suas preces serem atendidas e ainda na infância ela começa a trabalhar no castelo como serviçal de uma princesa refugiada de outro reino, Anabela, com quem possui uma amizade. Isa nutre uma paixão pelo príncipe e ainda na adolescência se envolve com ele, mesmo tendo conhecimento que ela não tem valor para ele, Isabelle se deixa ser usada movida pelo amor que sente.
Anabela assim como Isa também tem interesse pelo príncipe, porém devido a sua condição social o relacionamento entre os dois é viável o que desperta inveja na amiga. Não é só de inveja que a maldade em Isa se alimenta, após algumas tragédias que sucedem em sua vida um novo sentimento toma conta dela, a vingança. Como ela não tem o que perder e se encontra devastada, tomada pela raiva faz um acordo com um senhor que promete ensiná-la tudo o que sabe sobre magia, só assim ela poderá retornar ao reino forte e assumir o poder.
Esta é uma daquelas histórias que possuem potencial, porém apresenta algumas ressalvas, mas vamos por partes primeiro irei ressaltar os aspectos que considero positivos e em seguida irei explicar o que não me agradou tanto. A antagonista desta história possui um passado relevante que justifica bem sua sede por vingança, o que na minha opinião conta muitos pontos quando o leitor se aproxima da dor sentida pela personagem compreende o porquê dela se tornar cruel e se fechar para os bons sentimentos. A premissa contando a história de uma vilã não é algo novo, porém o autor conta de forma única misturando temas atuais com temas mais clássicos, indo do abuso de poder até ao empoderamento feminino que diga se de passagem que o último deveria ser um tema bem recorrente em diversos livros. A personagem é segura de si, tem um objetivo claro e doa quem doer ela irá atrás de seus ideais. O livro é bem organizado, os fatos são apresentados em uma linha de tempo contínua o que possibilita que a leitura seja feita em poucas horas.
Este não é um livro infantil, como já mencionei traz temas relevantes porém senti falta que estes fossem tratados de uma forma mais impactante, por não ser um autor com muita experiência acredito que é possível que ele amadureça ainda mais seu potencial de escrita. Uma forma seria explorando melhor a dor sentida pela personagem, por vezes, a sede de vingança tomou o espaço em momentos em que o leitor deveria sentir compaixão pelo que a vilã estava passando. A narrativa em terceira pessoa me incomodou algumas vezes, achei que alguns nós estavam desatados por isso, alguns buracos ficaram sem ser preenchidos e talvez uma empatia maior tivesse surgido caso tivesse sido adotada uma narrativa em primeira pessoa. O livro na minha opinião pode ser dividido em duas partes e a linguagem adotada na primeira não é condizente com o que dá a entender que deveria ser na segunda parte, eu esperava algo mais rebuscado e mais formal, mas diversas vezes me deparei com diálogos que adotaram algumas características bem informais na primeira parte.
A edição do livro ficou linda, a capa ficou marcante em tons de vermelho e eu achei-a bonita. A diagramação está ótima, a fonte muito confortável e de ótimo tamanho. O início de cada capítulo apresenta o desenho de uma coroa que deixou ainda mais charmosa a edição.

Fazendo um balanço geral a leitura foi agradável, trouxe temas relevantes e um enredo com grandes reviravoltas. Acredito que com o passar do tempo o autor irá aprimorar ainda mais sua habilidade como escritor e a apresenta uma escrita mais madura e forte.
Onde comprar: Livraria Cultura, Cia dos livros.

››