Suma de Letras

Te conto um Conto - Gigante do Volante (Escuridão Total Sem Estrelas)

21 janeiro


Fala pessoal, estou de volta com essa obra maravilhosa. Nessa resenha vou falar sobre o segundo conto do livro, intitulado Gigante do Volante. Como dito na resenha de 1922 (aqui), primeiro conto do livro, há quem acredite que há momentos em que somos tomados por uma escuridão, momentos esses em que nada mais se manifesta e que o resultado certamente não será bom (ou será?). Em sinopse, Gigante do Volante é um conto de pouco mais de 100 páginas protagonizado por Tessa Jean (Tess), escritora de uma série de livros de mistério investigativo, do tipo Poirot ou Sherlock, mas com um toque de doçura, uma vez que as detetives são um clube de senhoras intitulado Sociedade de Tricô de Willow Grove. Por razões lógicas, a escritora faz palestras do tipo Meet & Greet por uma certa quantia para engordar sua "aposentadoria". Em uma oportunidade que surge muito próxima de casa e bem paga, ela se envolve numa experiência traumática que muda toda a sua vida. Resultado: Tess é estuprada e quase morta (não é spoiler, isso está na sinopse oficial do conto na orelha da capa). O momento de escuridão de Tess começa a partir desse ponto. O que fazer machucada, espancada, estuprada, sem carro no meio do nada?
Antes de mais nada, King naturalmente escreve muito bem quando o assunto é horror da psiquê humana. É possível notar isso em várias das obras dele. Outro ponto interessante é a obstinação pela metalinguagem do autor, abordando em diversas de suas obras a arte pela qual vive, vide Paul Sheldon e Tess, seus personagens escritores que estão dentro de um livro. E o mais curioso é que ele faz isso com muita naturalidade. 
Voltando para a obra e a escuridão de Tess, é importante para mim dizer que por muito tempo nunca entendi porque razão mulheres que sofriam de violência doméstica e/ou sexual preferiam não denunciar, tentavam encobrir. Bom, eu entendia, mas nunca completamente, até ler essa obra. King é preciso sobre todo o julgamento, vergonha, medo, tornando todo o porque claro como o sol no deserto. O que mais assombra lendo este conto (e pelo jeito todos os outros nesse livro) é o quanto é  palpável, possível de acontecer logo ali na casa do vizinho. Toda a confusão, a sensação de se sentir outra pessoa, se sentir suja, totalmente mudada e marcada pelo que aconteceu é algo muito triste de se ver, causa muita empatia no leitor mas é agonizante. Quando a protagonista chega em casa viva depois de tudo, precisa pensar o que vai fazer (ou não fazer nada) sobre o que sabe, o que viu, o que passou. E quando ela se decide pela vingança é eletrizante. É ao mesmo tempo excitante e preocupante, você torce por Tess, mas se preocupa com sua sanidade e com a sua vida. Definitivamente um conto imperdível, em algum ponto toma uma forma muito curiosa de livro de mistério, do tipo que vai se desvendando em partes e nos deixando boquiabertos. Ainda prefiro 1922, um conto mais viciante pela forma como foi escrito. Entretanto Gigante do Volante é uma ótima leitura, rápida e emocionante do início ao fim.

Bom galera, é isso. Contem ai nos comentários o que acharam do conto (Se leram) e da resenha, vamos discutir sobre um pouquinho. Até a próxima.

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Companhia das Letras

Resenha: A Elegância do Ouriço

16 janeiro


Título: A elegância do ouriço
Autora: Muriel Barbery
Editora: Cia das Letras
Páginas:  352

A Elegância do Ouriço foi um dos melhores livros que li em 2017 e talvez um dos mais difíceis de transmitir sua essência através de uma resenha. E mesmo depois de ter encerrado a leitura os personagens ainda continuam vivos dentro de mim, seja pela complexidade ou mesmo pelos aspectos que os tornam únicos. “A Elegância do Ouriço” é um livro totalmente diferente do que estava habituada a ler, me surpreendi e não imaginava que ia gostar tanto.
A ambientação do livro é em prédio situado em uma região nobre de Paris, seus moradores são ricos e esnobes, é nesse meio que a concierge Reneé se encontra. Simples, de origem humilde, ela gosta de levar uma vida pacata. Sempre escondeu seu gosto pela literatura dos moradores do prédio, afinal quem desconfiaria que uma senhora humilde se interessaria por livros tão densos dos mais diversos assuntos? Ela esconde esse segredo debaixo de sete chaves e está sempre observando o comportamento dos moradores do prédio de uma forma ácida e divertida.
Por outro lado, o leitor é apresentado a Paloma, uma adolescente rica que está passando por uma crise existencial e que está em busca de uma razão para seguir a vida. O que ela tem em comum com a concierge? Bem mais do que elas imaginam. As duas possuem uma personalidade bem parecida, são observadoras e estão sempre atentas a tudo que acontece ao seu redor sempre com um olhar crítico e bem posicionado.

O humor presente na leitura é ácido, crítico e muito bem construído. Os personagens adicionam o brilho a obra, os relacionamentos que a primeira vista parecem improváveis são a cereja do bolo. Diversas questões filosóficas são levantadas de forma tão leve, deixando a leitura descontraída e sem excessos. Tudo na medida certa, personagens, ambientação, aspectos filosóficos e sociológicos, críticas e posicionamentos. Um livro que com certeza irá me acompanhar por um bom tempo.
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Resenha

Te Conto um Conto - 1922 (Escuridão Total Sem Estrelas)

12 janeiro


Fala pessoal, vamos falar de terror? 1922 é o primeiro de 4 contos que compõem o livro de Stephen King, Escuridão Total Sem Estrelas.
Você sabe o que é a escuridão? Será que ela tem conexão conosco? Há quem acredite que em certos momentos somos tomados pela escuridão, momentos esses em que nada além da escuridão se manifesta em nós. Alguém pode ate tentar lhe trazer uma 'lanterna', uma 'vela' para te iluminar um pouco, mas dificilmente vai surtir algum efeito. Nessas horas, nós, seres habituados com a luz, nos perdemos em meio a escuridão e quase que certamente o resultado não será bom. King, nessa obra traz a tona momentos da mais completa escuridão na alma das pessoas, impressionando e aterrorizando pela verossimilhança narrativa.
Você que vive hoje num mundo extremamente próximo e conectado deve imaginar que nem sempre o mundo foi assim. É difícil imaginar que até hoje, principalmente nas regiões rurais, coisas estranhas acontecem e ninguém fica sabendo. Imagine antes dos celulares com câmeras serem realidade na maioria das casas, quando pessoas passavam semanas e até meses sem ver outras pessoas. O que não acontecia então em 1922, numa fazenda?
Wilfred é um fazendeiro que vive com a esposa Arlette e o filho adolescente Henry na região de Hemingford (próximo a Omaha), no estado do Nebrasca. Já nessa época, grandes companhias de criação de bovinos e suínos tomavam conta de longos trechos rurais, uma delas a Companhia Farrington. Wilfred vivia das terras que lhe pertenciam, 80 acres de terra. Wilfred era satisfeito com sua vida, até que um dia em 1922, Arlette recebe em testamento um terreno anexo a fazenda onde viviam, totalizando 100 acres, um acréscimo bem vindo às terras da família. Só tinha um problema: A esposa de Wilfred não estava satisfeita de viver ali, ela queria morar na cidade, e para tanto pretendia vender suas terras herdadas e a Companhia Farrington queria comprá-las. Para Wilfred, viver na cidade seria impensável, ele adorava o campo, viver do campo, o sossego daquele lugar. Calmamente sua esposa propõe que ele fique em sua terra, ela venda as dela e se mude com o filho. Entretanto ele também não gostaria de viver ao lado de um matadouro, perto de um rio cheio de restos de animais. A solução? Wilfred decide se livrar de sua mulher. Num momento de escuridão total, Wilfred decide manipular seu filho Henry a lhe ajudar a matar Arlette e esconder o corpo dela. E essa é a origem de todos os problemas. Depois de planejar e executar (tendo alguns problemas), ambos escondem o corpo da mulher e tentam levar a vida, mas nada mais é como antes. O filho, aterrorizado começa a ficar cada vez mais agressivo e arredio, uma vez que não conhece limites após participar de tão covarde ato. O pai, aparentemente começa a ter pesadelos e delírios, sendo atormentado constantemente pelo crime. As autoridades, tentando apurar o ocorrido visitam, investigam e nada encontram. Mas mesmo escapando da lei, a culpa continua martelando na cabeça de Wilfred, junto com os ratos, os malditos ratos. Para completar, os primeiros sinais da crise de 29 que se aproxima começam a afetar a situação financeira dos dois. A única ponta de esperança é a relação da filha do vizinho, mais rico, com Henry. Apesar de mudado, Henry se sente um pouco melhor por ter a companhia da graciosa Shannon Cotterie. Mas a escuridão, por mais que venha e tome posse do juízo das pessoas, quando vai embora sempre deixa marcas incuráveis. Os problemas vão se acumulando até chegar aos limites do suportável para cada um. O fim da história, você descobre quando e onde será logo nas primeiras linhas : abril de 1930, a confissão de Wilf sendo escrita num hotel na cidade de Omaha. Logo ele que tanto lutou para não ir parar na cidade. O relato, contado do ponto de vista de confissão é rico em detalhes (qualidade ímpar do King que dá vida a momentos pitorescos das suas obras) e faz com que a vontade de conhecer o final só cresça ao longo do relato. Não vou contar muito sobre o desenvolvimento do livro porque se você não leu, merece descobrir da forma mais legal: Lendo.
Só queria dizer que até um pouco de Bonnie & Clyde tem nessa história.
Aos curiosos apressados, a Netflix lançou um filme original de mesmo título, cuja atuação de Thomas Jane como Wilfred é excepcional e vale a pena conferir. Entretanto recomendo fortemente ler primeiro e ver depois, afinal o livro é sempre melhor né?
Deixa aí seu comentário, vamos bater um papo sobre essa história sinistra.

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Filmes

Sessão Pipoca - Bright

09 janeiro


       Falem Rascunheiros, Renner aqui pra falar desse filme sensacional que é a aposta da Netflix para levar um Oscar pra casa em 2018. Estrelado por Will Smith, Bright se passa numa Los Angeles distópica recheada com um universo de Tolkien, com humanos, orcs, elfos e fadas tentando conviver num living hell.
     Primeiro de tudo, a Netflix investiu em ótimas chamadas de marketing, utilizando o jornalista Evaristo Costa, queridinho das redes sociais, como tinha feito na estreia de Stranger Things 2 com Marília Gabriela e a Chiquinha (do Chaves). As chamadas você confere aqui e aqui.
      Pondo de lado o marketing certeiro da Netflix, apesar de Bright envolver criaturas saídas de uma aventura épica de Tolkien, ele se parece muito mais com a Revolução dos Bichos e Maus, nos quais se faz uso da crítica velada a problemas recorrentes da sociedade, escondida pelos panos de animais no lugar de pessoas. Em Bright, as raças coexistentes são personificações da nossa sociedade, os orcs marginalizados, sofrendo abuso de força da polícia o filme inteiro, os humanos no meio do caminho, os elfos representando a elite no pedestal da sociedade e as fadas parecendo o mendigo que o dono do bar espanta tal qual um cachorro de rua. Nessa sociedade caótica, Ward (Will Smith) é um humano policial de Los Angeles que é vítima dos conflitos entre raças, uma vez que é o único da polícia que tem um orc como parceiro (o primeiro orc policial). Jakoby, parceiro de Ward é um bobo de bom coração que pretende servir a justiça na polícia mas é renegado pelo preconceito dos demais policiais e excluído de sua raça por se juntar a polícia e não pertencer a clã nenhum de orcs. 

       As primeiras cenas tem como objetivo deixar bem claro o tipo de sociedade que foi descrita logo acima e cumpre perfeitamente bem esse papel. Durante o cumprimento do dever, os dois policiais atendem uma ocorrência que aparentemente é só mais um caso comum, mas que lentamente vai se revelando um grande problema por ter envolvimento de magia e de um bright (que descobrimos mais tarde). A partir daí, corrupção policial, ganância e outros adjetivos ruins muito presentes na nossa força da lei tomam cena e a situação começa a se complicar. Nossos protagonistas são obrigados a tomar decisões difíceis e começam uma corrida pela justiça, fugindo de todos para proteger o "Santo Graal" do filme das gangues de orcs, humanos, dos policiais corruptos e da milícia élfica Inferni que pressagia a volta de um Lorde das Trevas. 

       A evolução do drama e das descobertas do filme junto com a ação intercalada com momentos para respirar tornam esse um ótimo filme para se assistir sem compromisso, um filme ação+drama pra se ver na sessão da tarde. Entretanto, o filme aborda diversos temas sociais de grande importância e trás uma crítica social bem disfarçada pelas facetas das raças, da magia e do místico, rendendo belas horas de discussão e múltiplas tonalidades de interpretação. Além disso, os cenários ficaram muito bem caracterizados, transmitindo a imagem de sociedade falida, que não deu certo.
        Não bastasse tudo isso, a trilha sonora está perfeita , músicas bem encaixadas nos momentos de ação e drama, com vários artistas conhecidos como Bebe Rexha,  Camila Cabello, X Ambassadors,  Migos, Marshmello, Steve Aoki dentre outros. Logo abaixo segue uma lista das melhores músicas pra você ouvir e se viciar:

        Tenho certeza que como eu vocês vão acabar viciando em pelo menos umas duas ai (kkkkk). Bom galera, é isso, espero que possam ver Bright em breve e que gostem da experiência. Deixem aí embaixo seus comentários e até a próxima. Fui
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HQs/Mangás

Resenha: Deadpool – Três Homens Em Conflito

04 janeiro

Eu (Renner) estou de volta, leitores do Rascunho. Feliz 2018 pra todos vocês e que este seja um ano repleto de boas leituras e muuuuita grana pra comprar livros novos.
Hoje vamos falar do terceiro encadernado de Deadpool: Três Homens em Conflito, lançado pela Panini e integrante do selo Nova Marvel. Se você não leu ou não conhece os dois primeiros, tem resenha dos dois aqui (essa não tem no blog, mas tem uma minha no skoob) e aqui.
Esta obra de arte que é Deadpool – Três homens em conflito já começa bem pela referência do título. Isto porque Três Homens em Conflito é o nome em português do aclamado filme de faroeste protagonizado por Clint Eastwood, aquele com a música mais famosa de faroeste que você ouve aqui. Por acaso, essa referência faz ainda mais sentido no título em inglês, que traduzido fica “O Bom, O Mau e o Feio” (se não entendeu, olhe pra capa do encadernado de novo).
Composta de 7 mensais, este encadernado começa com a edição 13 fazendo um flashback retro em que Deadpool (de cabelo afro nos anos 70) resolve fazer parte dos heróis de aluguel, negócio criado por Punho de Ferro e Poderoso (mais conhecido como Luke Cage). Nessa brincadeira, surge um vilão caricato que mais parece um cafetão e o encrenqueiro tagarela que nunca foi muito bem vindo arma muita confusão, rendendo boas risadas. De volta aos dias atuais na edição 14, o tal vilão reaparece com sede de vingança e Punho de Ferro, Luke Cage e Deadpool se reúnem novamente (contra a vontade de Luke, devo dizer) para dar fim ao Homem Branco (muitos trocadilhos com esse nome). Isso tudo para no fim Deadpool ser novamente abordado pelos maníacos que tem neutralizado ele e roubado seus órgãos desde a edição passada. Só que dessa vez ele consegue algumas informações para ir atrás e descobrir ao longo das edições 15 a 19 o que está sendo feito com seus órgãos e até um pouco do seu passado. Sentindo o perigo, nosso querido mercenário procura ajuda e orientação de ninguém menos que Wolverine e capitão América, os quais não levam a sério e nada sabem sobre o que Wade está procurando.
O que você vai descobrir nessa história, é de arrepiar. Acreditem, esse foi o melhor dos três encadernados porque tem realmente uma história. Ainda temos bastante comédia, referências e trocadilhos pelo caminho, afinal se não tivesse não seria o Deadpool, mas temos um drama crescente que evolui a cada virada de página, até chegar ao ponto de te deixar com pena de um mercenário que mata por tédio, que se associa e trabalha com demônios e que não se importa com nada. O deadpool, afinal de contas, sente alguma coisa. Esta obra é de tirar o fôlego, recomendo muito mesmo, acredito que até os leitores mais veteranos vão gostar desse encadernado. A arte, como sempre é bastante explosiva, com cores fortes e enquadramentos de impacto dos filmes de ação. E as piadas, não se esqueçam das piadas de péssimo gosto.
Abaixo deixo algumas fotos para deixar vocês ainda mais inquietos para ler esse encadernado.
Deixem aí em baixo nos comentários o que acharam e até a próxima.


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Galera Record

Resenha: Todo dia

01 janeiro


Título: Todo dia
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Ano: 2013 / Páginas:280

É sempre bom quando me deparo com leituras que apesar de serem voltadas para um público mais jovem (Young Adults - YA) conseguem me transportar totalmente para o universo criado dentro da obra e me surpreendem. O livro “Todo dia” faz parte desta lista. Foi uma surpresa incrível. Mesmo o livro já estando a tanto tempo no mercado literário eu ainda não sabia a fundo sobre o que se tratava e nem a carga dramática que o mesmo carrega.
Você já imaginou acordar todos os dias em um corpo diferente? Não importando o gênero ou a orientação sexual? E ainda assim não perder a sua essência, o que você é de fato? É com uma linha de pensamento parecida com essas questões que David Levithan escreveu o romance em questão, com um toque de fantasia, mas com uma lição e tanto por trás dessa ideia tão original.
O livro traz a história de um jovem que todos os dias acorda em um corpo diferente, desde que se entende por gente. Com o passar dos anos passou a optar por não interferir na vida das pessoas em que habitava a cada dia. Até que nos seus dezesseis anos conheceu a namorada de Justin (o corpo que ele estava naquele dia) e acabou sendo inevitável não se encantar por ela e decide quebrar uma de suas regras e oferecer a ela um dia incrível. Justin nunca a tratou bem, portanto o dia se torna de fato inesquecível para ela. A partir desse ponto, ele passa a querer encontrar formas de encontrar a garota todos os dias.
Como no português não existe um pronome para se referenciar uma pessoa sem identificar um gênero, assim como na tradução, acabei optando pelo gênero masculino ao escrever esta resenha. Porém, a ideia do livro é enxergar o ser, a essência e os valores, libertando-se da matéria e do corpo em questão. A princípio é um tanto difícil, mas com o passar da narrativa fui me desprendendo dessa questão e comecei a enxergar o personagem em sua essência. Me peguei questionando o por quê é tão difícil não relacionar uma pessoa a um corpo, se o que de fato importa não está na superfície e vai além do olhar. O que nos faz humanos é justamente o fato de sermos diferentes, não em questão de gênero, raça ou cor, mas sim pelo que existe dentro de nós, o que de fato somos. É uma reflexão que vale a pena ser feita.
Quanto a explicação sobre o que faz o personagem principal habitar todo os dias um corpo diferente, não leia esperando encontrar essa resposta, como já mencionei anteriormente esse não é o objetivo dessa leitura. E não pense que a leitura não vale a pena por não ter essa explicação, porque vale muito a pena.
Esse é um YA que não subestima o seu leitor e que merece ser lido por todos que gostam do gênero. A ideia é extremamente original, pode te surpreender da melhor forma possível. Esse não é um livro fácil de ser explicado e sei que não consegui expressar nessa resenha nem um quarto da mensagem que ele de fato trás, mas espero que tenha instigado-o a realizar a leitura e que goste tanto quanto eu gostei.


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Bertrand Brasil

Resenha: O velho e o mar

25 dezembro


     Faz algum tempo que não há postagens aqui no blog, devido a correria do dia-a-dia e como consequência as leituras acabaram rendendo bem menos, porém a qualidade dos livros lidos seguem sempre alta. Não podia deixar o ano se encerrar sem escrever sobre “O velho e o mar”, que leitura foi essa senhores(as)? Em tão poucas páginas fui tomada por um sentimento de apreensão, angústia, solidariedade e uma lição de vida sobre a natureza. Não é por acaso que a obra se destaca entre os livros escritos por seu autor Ernest Hemingway e é ganhadora do prêmio Pulitzer e Nobel. O fato de ser uma obra premiada por si só aumenta qualquer expectativa para a leitura, mas por esses dois prêmios em especial espera-se muito mais da obra e posso dizer que não me decepcionei.



     O livro traz a história de Santiago, um senhor já idoso, que viveu a vida sendo pescador, porém está passando uma fase ruim em que não está conseguindo pescar peixes, por isso sempre vai ao mar solitário. Ele tem um amigo jovem, Manolin, a quem ensinou todas as técnicas de pescaria, todos os dias quando voltam do mar os dois se reúnem e falam sobre o dia, beisebol e sobre a pesca. Manolin sempre se oferece para ajudá-lo, mas o velho segue pescando solitário.
     No 85º dia em que vai ao mar na maré de azar, Santiago consegue pegar em seu anzol um peixe grande, porém, este lhe oferece grande resistência e acaba levando o seu pequeno barco cada vez mais para alto mar. É em meio a solidão que os pensamentos de Santiago vão ficando cada vez mais transparentes a sua personalidade vai se moldando e relembrando de grandes momentos de sua vida, além de ficar cada vez mais claro o quão importante é para ele pegar esse peixe.




      O livro possui uma carga de sentimentos muito grande, a princípio não achei que iria ter simpatia pelo velho pescador, mas logo que sua jornada começou me vi torcendo para a sua vitória. A forma como ele referencia a natureza e como respeita o mar e seus peixes é convincente, é impossível não partilhar de sua angústia e de seus medos. A forma como o enredo vai se desenvolvendo é de partir o coração e ao mesmo tempo enche de esperanças.
     A mensagem que o livro carrega pode ser interpretada de diversas formas e na minha opinião é também uma grande lição de vida. Um livro que mesmo em poucas páginas pode ter um valor diferente para cada leitor, sendo uma leitura comovente e cheia de nuances que vale a pena ser conhecida.
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